quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O telefonema revelador

O telefone toca. Do outro lado da linha, uma voz agoniada e bastante familiar começa a falar:


   _ Alô! Aninha, você tem um minuto? Preciso muito conversar com alguém... Você pode me ouvir?

Querendo entender sobre o que se tratava, concordei em ajudar e ouvir o que a voz tinha a dizer. Depois de quase uma hora ouvindo o drama daquele individuo, sem saber exatamente como ajuda-lo, resolvi perguntar sobre seus sentimentos em relação ao assunto tratado (relacionamento amoroso, pra variar). Depois de alguns minutos em silencio, a voz responde:


   _Sabe Ana, durante quase duas semanas tenho fugido desse quesito de sentimentos. Tenho evitado falar sobre eles, ou até senti-los. Pois sei que se um dia assumir que eles existem, terei de lidar com eles.


Depois dessa resposta um tanto quanto complicada, tento inutilmente (pensava eu) convencê-lo de que os sentimentos são essenciais e inevitáveis na vida humana, principalmente na situação em que se encontrava. Que ele deveria assumi-los e enfrentá-los. Mas ele rindo (ironicamente) retrucou:


   _Você me falando em assumir sentimentos? Logo você, que sempre procurou esconde-los? Tem alguma coisa errada nisso. Mas sei que esse é o certo e vou ver o que faço. Obrigada Aninha!


Ao desligar o telefone, senti em mim que o individuo da voz estava certo. Quem sou eu pra aconselhar as pessoas à assumirem os sentimentos, se sou a primeira a evita-los e esconde-los? Se pararmos para pensar, não passei de uma hipócrita covarde, com medo de assumir meus sentimentos e me machucar novamente.

Mas agora, depois de rever meus conceitos e valores, depois de perceber que é inevitável fugir e se esconder dos sentimentos. Decidi assumi-los e dar a minha cara a tapa. Pois agora percebo que...

"Covarde não é aquele que chora por amor, mas é aquele que não ama por medo de chorar." (Autor desconhecido)

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